PORQUE A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA ACONTECE

Regina DiasNão categorizadoLeave a Comment

Entender o motivo da intolerância religiosa é primordial para consolidar um pensamento voltado à missão. Isto posto, é importante olhar para os fatos históricos que estruturam a cultura de ódio e perseguição. Os adeptos do cristianismo foram os primeiros a sofrerem perseguição do Império Romano, que se considerava ameaçado pela grande propagação da religião.

Os deuses como, Júpiter e Netuno, perdiam espaço para um Deus que prometia a salvação e a vida eterna sem dor e sofrimento – um alimento fértil para a população mais pobre – desestruturando a base ideológica da nação, sendo assim o primeiro motivo para a intolerância religiosa. Ora, se a grande parte da população crer e cultuar somente um único ser divino, festas em homenagem a Baco, já não fazem mais sentido, logo, obedecer às leis de César se torna algo impensável para os mais novos cristãos. A lei do Pão e Circo transfigura-se em um ato hediondo e insuficiente. Pronto, acende-se a fagulha para a reivindicação de direitos e notoriedade política. Como resultado, originou-se os mártires, mortos pelo fio da espada como Mateus ou até mesmo como Pedro, que fora crucificado de cabeça para baixo sob ordens do tão temido imperador Nero.

Entretanto, nem só de vitimismo vive a religião cristã. Quando alcançaram a legalidade em 380 d.C, concedida pelo imperador bizantino Teodósio 1º, os cristãos passaram a discriminar pagãos, judeus e, tempos depois, muçulmanos. Assim, é com estes fatos que surge o segundo motivo para a intolerância religiosa, a desestruturação econômica.

Em 10 de novembro de 1517, Martinho Lutero publicou suas 95 teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenber, revolucionando a religião cristã. Em tempos de indulgências e dominação do Clero – o único detentor das escrituras sagradas – frases como Sola Scriptura, Sola fide e Sola gratia abalaram a estrutura econômica da idade média.

Nasce o Calvinismo e o Luteranismo, ramificações da religião cristã que ia de encontro com o pensamento medieval. A venda de indulgências já não era mais legítima, comprar um pedaço do céu se tornou algo ridículo.

O trabalho e lucro deixaram de ser um pecado e passaram a ser a base de bom cristão. Tem-se a ascensão de uma nova classe social, os vendedores dos burgos, isso mesmo, os burgueses. Consequentemente, em resposta ao poder da nova classe social a igreja potencializou o Tribunal da Inquisição dando início guerra entre Católicos e Protestantes. A famosa “Guerra dos Trinta Anos” de 1618 a 1648. Tempos em que a intolerância contra judeus ficou cada vez mais forte.

Por fim, o último motivo para a intolerância religiosa decorre do pensamento humanista e antropocêntrico, o etnocentrismo – a crença de que a cultura e a lei de certo povo é superior. Pero Vaz de Caminha em sua carta ao rei de Portugal, relata que os nativos da nova terra padecem de três letras. F, R e L. Fé, Rei  e Lei. O final do conto já se sabe, foram culturas assassinas e religiões apagadas. A intolerância religiosa, portanto, decorre dos três motivos. Estrutura ideológica (Fé), estrutura econômica (Rei) e o etnocentrismo (Lei). Logo, compreender os reais motivos da intolerância abre caminhos para como evitá-la, mas, este assunto fica para o próximo texto. 

Pedro Medeiros

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