O que a intolerância religiosa pode causar?

Regina DiasNão categorizadoLeave a Comment

Definição de intolerância religiosa

De acordo com o dicionário Aulete, intolerância é definida como atitude agressiva ou repressora para com as diferenças e outrem relativa à etnia, crença, opinião, modo de vida, etc. Seu oposto seria a tolerância. Podemos concluir, portanto, que a intolerância religiosa é caracterizada quando há uma atitude agressiva, fanática, opressora, que incorre em perseguições com repressão e violência àqueles que professam fé diferente da fé do perseguidor.

É importante observarmos, porém, que tolerância se difere de aceitação. Tolerância se relaciona ao respeito em relação à pessoa que professa fé distinta da nossa, entendendo que a pessoa é livre para crer (ou não crer, no caso do agnóstico) no que quiser, principalmente porque hoje vivemos em um Estado laico – como no caso do Brasil. Aceitação, no entanto, quando comparada com tolerância, se aproxima mais de uma tendência à aprovação e receptividade da fé que o outro professa.Dessa maneira, compreendemos que é a falta de tolerância à fé do próximo que causa as perseguições religiosas, e não a falta de aceitação. Ao não concordarmos com a fé de alguém, que seja diferente da nossa fé cristã, não estamos sendo intolerantes. Enquanto cristãos, cremos em um só Deus como o Deus verdadeiro, e Jesus como o único caminho para a vida eterna. Quem professa fé distinta dessa não terá nossa aprovação, no sentido de dizermos que a pessoa está correta e que está tudo bem – afinal, para nós, essa pessoa estaria vivendo no engano. Mas isso também não significa que iremos persegui-la ou tratá-la com violência por professar fé diferente – aí estaríamos incorrendo em intolerância religiosa.

Consequências da intolerância religiosa no mundo

O maior exemplo que temos de intolerância religiosa foi aquele acontecido com Jesus Cristo. Perseguido desde o seu nascimento (Mateus 2.13,16), passando por diversas hostilidades durante sua vida, foi preso por líderes religiosos judeus da época (26.47,50), agredido por estes (v. 67), e posteriormente também humilhado e agredido pelos soldados do governador romano (27.27-31), chegando ao extremo de o matarem através da crucificação (v. 50). Das justificativas que os judeus usaram para perseguirem-no, podemos citar que Jesus questionava suas religiosidades e ensinamentos, além de não seguir as leis religiosas, por exemplo, quando curou enfermos no sábado (12.13,14) – sendo isso proibido pelos rabinos da época. E a intolerância religiosa destes foi extrema ao ponto de matarem Jesus.

A partir disso, seguem-se séculos de perseguição e morte aos cristãos, iniciando-se com Estevão, o primeiro mártir da história (Atos 7.56-60), passando-se pelos discípulos, que tiveram mortes também terríveis, e demais patriarcas da fé cristã, perseguidos tanto pelos religiosos quanto pelos governadores da época. Posteriormente, na Idade Média, visando defender uma suposta pureza da sua religião, a Igreja Católica realizou matança de comunidades inteiras. Dessa maneira, vemos que casos de intolerância religiosa aconteceram (e ainda acontecem) contra cristãos do mundo inteiro, mas também contra professos de outras religiões.

A Fundação ACN (do inglês Aid to the Church in Need, em português Ajuda à Igreja em Necessidade) publica bienalmente, desde 1998, o Relatório de Liberdade Religiosa no Mundo, trazendo uma análise da liberdade religiosa em 196 países, abrangendo todos os grupos religiosos. De acordo com o último relatório (2018), os agentes opressores podem ser o Estado, grupos terroristas ou outros atores não estatais, com campanhas de violência e subjugação, incluindo homicídios, detenção falsa e exílio forçado, além de danos e expropriação de bens. Há até incidentes onde o próprio país pode ser uma vítima, como no caso da Nigéria. 

 O secretário-geral da ONU, António Guterres, em pronunciamento em 29 de abril de 2019, alguns dias após uma sinagoga nos Estados Unidos e uma igreja em Burkina Faso terem sido atacadas, chamou a atenção para incidentes que, agora, começaram a ser comuns até demais: “muçulmanos abatidos em mesquitas, com seus locais religiosos vandalizados; judeus assassinados em sinagogas, com suas lápides desfiguradas por suásticas; cristãos mortos em oração, com suas igrejas frequentemente incendiadas… os locais de adoração, em vez de serem os abrigos seguros que deveriam ser, tornaram-se alvos”. Guterres alertou, também, para o avanço dos crimes de intolerância religiosa no mundo, enxergando como crucial o envolvimento não só dos líderes religiosos e da sociedade civil em geral, mas, inclusive, de líderes políticos para que haja, enfim, uma coexistência pacífica entre as diferentes crenças.

Realidade no Brasil

Tendo como base relatórios de 2011 a 2015 com quantitativos sobre queixas de assédio religioso no Brasil, a ACN apontou que a comunidade mais atacada foi a afro-brasileira, com cerca de 41,5 a 63,3% das vítimas com religião identificada, o que indica um número alto já que tal comunidade representa apenas 0,3% da população do país. Proporcionalmente, também é elevado o número de ataques a muçulmanos, sendo 0,71% dos ataques em 2016, apesar de serem apenas 0,02% da nossa população.

Os ataques mais frequentes relatados são: 

1- de agressões verbais ou físicas a membros da comunidade religiosa, principalmente os mais importantes/reconhecidos ou que utilizam adereços e símbolos religiosos, e normalmente se dá na rua ou na casa da própria vítima; 

2- depredações a espaços sagrados e destruição de objetos religiosos. Casos de discriminação em locais de trabalho também têm sido crescentes nas queixas. Em virtude à relevância do assunto, foi criado em 2015 um órgão dedicado especificamente à discriminação religiosa – a Assessoria de Diversidade Religiosa e Direitos Humanos.

E quanto à Nação da Cruz?

A intolerância religiosa divide nações, comunidades, e até membros de uma mesma família, variando em intensidade – desde indiferenças até execuções. Preocupado com o assunto, foi criado o ministério Nação da Cruz, baseado em dois pilares: 1- envio de missionários aos países muçulmanos para auxiliarem em projetos existentes que estejam em necessidade, e 2- construção do CARS (Centro de Apoio ao Refugiado Cristão) em Londrina.

O primeiro pilar visa ajudar a igreja de Cristo num crescimento sólido, através do envio de missionários em missões evangelísticas (focada na pregação da palavra de Deus e ensinamento bíblico, e encaminhamento de perseguidos que corram risco de morte para serem acolhidos pelo CARC) e missões profissionais (ajuda ao próximo por meio do conhecimento acadêmico, sendo formado por pessoas das áreas de saúde, educação física, psicologia, entre outras). O segundo pilar tem por finalidade oferecer suporte psicológico, espiritual e humano, para que as feridas abertas pela perseguição sejam diminuídas, buscando inserir o indivíduo de volta na sociedade e, quando haja interessado, dar suporte teológico aos acolhidos que tenham em seu coração o desejo de se tornarem futuros missionários.

Oremos e, sempre que possível, atuemos contra a intolerância religiosa. Seja através do ensino, através de doações financeiras a projetos que visem esse combate, ou fazendo parte mais ativamente, é importante nos envolvermos para que, no futuro, menos pessoas padeçam em virtude da intolerância de fanáticos.

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