Como surgiu a intolerância religiosa?

Regina DiasNão categorizadoLeave a Comment

A intolerância religiosa está presente em diversos momentos da história da humanidade, causadora de inúmeras guerras e morte de milhares de pessoas ao redor do mundo. O surgimento da intolerância está ligado com a falta de aceitação com aquele que possui uma crença diferente, e isso por diferentes razões. Acredita-se que uma das razões está no fato de que os Estados, durante a Idade Média, detinha a religião como forma de poder e de sustentação.

Primeiros a sofrerem perseguições, após um incêndio em Roma no ano de 64 d.C, imperador Nero fez dos cristãos o “bode expiatório” para a tragédia, e a opressão, assim, se espalhou. Aqueles que professavam o cristianismo eram torturados e queimados. O apóstolo Paulo e Estevão foram terrivelmente perseguidos e mortos durante o Império Romano, como evidencia o livro de Atos. Os romanos eram politeístas, ou seja, acreditavam em diversos deuses e assim, não aceitavam o monoteísmo. Após a volta de Jesus ao céu e a consequente difusão do cristianismo, as testemunhas do cristianismo foram se multiplicando, o que tornou uma ameaça à soberania do imperador romano. Em resposta, oficiais romanos recebiam ordens para prender, torturar ou até mesmo matar aqueles que eram adeptos a essa “nova” religião.

Atualmente no Brasil, mesmo com leis que visam punir os intolerantes religiosos, a intolerância ainda está presente em nosso território e em todo mundo. Coreia do Norte, Somália, Iraque, Síria e Afeganistão são considerados os países mais intolerantes na atualidade e o cristianismo a religião mais perseguida. A religião islâmica é a mais intolerante devido a interpretação de seu livro sagrado, o Alcorão. Apesar de o autodenominado Estado Islâmico se declarar muçulmano, grande parte dos adeptos do islamismo repudia os atos do grupo e afirma que eles não representam o Islã. Desse modo, o problema não é a religião, mas as forças políticas que usam o Islã para se promoverem por meio da violência. Por fim, é necessário que nós, cristãos, sejamos amáveis com todos e que possamos proclamar o Evangelho com amor, assim como Jesus fez. 

Quem protege os refugiados?

Entender o motivo da intolerância religiosa é primordial para consolidar um pensamento voltado à missão. Isto posto, é importante olhar para os fatos históricos que estruturam a cultura de ódio e perseguição. Os adeptos do cristianismo foram os primeiros a sofrerem perseguição do Império Romano, que se considerava ameaçado pela grande propagação da religião. Os deuses como, Júpiter e Netuno, perdiam espaço para um Deus que prometia a salvação e a vida eterna sem dor e sofrimento – um alimento fértil para a população mais pobre – desestruturando a base ideológica da nação, sendo assim o primeiro motivo para a intolerância religiosa. Ora, se a grande parte da população crer e cultuar somente um único ser divino, festas em homenagem a Baco, já não fazem mais sentido, logo, obedecer às leis de César se torna algo impensável para os mais novos cristãos. A lei do Pão e Circo transfigura-se em um ato hediondo e insuficiente. Pronto, acende-se a fagulha para a reivindicação de direitos e notoriedade política. Como resultado, originou-se os mártires, mortos pelo fio da espada como Mateus ou até mesmo como Pedro, que fora crucificado de cabeça para baixo sob ordens do tão temido imperador Nero.

Entretanto, nem só de vitimismo vive a religião cristã. Quando alcançaram a legalidade em 380 d.C, concedida pelo imperador bizantino Teodósio 1º, os cristãos passaram a discriminar pagãos, judeus e, tempos depois, muçulmanos. Assim, é com estes fatos que surge o segundo motivo para a intolerância religiosa, a desestruturação econômica. Em 10 de novembro de 1517, Martinho Lutero publicou suas 95 teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenber, revolucionando a religião cristã. Em tempos de indulgências e dominação do Clero – o único detentor das escrituras sagradas – frases como Sola Scriptura, Sola fide e Sola gratia abalaram a estrutura econômica da idade média. Nasce o Calvinismo e o Luteranismo, ramificações da religião cristã que ia de encontro com o pensamento medieval. A venda de indulgências já não era mais legítima, comprar um pedaço do céu se tornou algo ridículo. O trabalho e lucro deixaram de ser um pecado e passaram a ser a base de bom cristão. Tem-se a ascensão de uma nova classe social, os vendedores dos burgos, isso mesmo, os burgueses. Consequentemente, em resposta ao poder da nova classe social a igreja potencializou o Tribunal da Inquisição dando início guerra entre Católicos e Protestantes. A famosa  “Guerra dos Trinta Anos” de 1618 a 1648. Tempos em que a intolerância contra judeus ficou cada vez mais forte.

Por fim, o último motivo para a intolerância religiosa decorre do pensamento humanista e antropocêntrico, o etnocentrismo – a crença de que a cultura e a lei de certo povo é superior. Pero Vaz de Caminha em sua carta ao rei de Portugal, relata que os nativos da nova terra padecem de três letras. F, R e L. Fé, Rei  e Lei. O final do conto já se sabe, foram culturas assassinas e religiões apagadas. A intolerância religiosa, portanto, decorre dos três motivos. Estrutura ideológica (Fé), estrutura econômica (Rei) e o etnocentrismo (Lei). Logo, compreender os reais motivos da intolerância abre caminhos para como evitá-la, mas, este assunto fica para o próximo texto.  

Quem recebe refugiados?

Refugiados são as pessoas que se encontram fora do seu país por causa de fundado temor de perseguição por motivos de raça, religião, nacionalidade, opinião política ou participação em grupos sociais, e que não possa ou não queira regressar. Segundo dados da Agência da ONU para refugiados (Acnur), 57% dos refugiados do mundo vêm apenas de três países: Síria, Afeganistão e Sudão do Sul. Sendo a maioria destes, sírios, que saem de seu país devido a intensa guerra civil que ocorre na região desde 2011. O local escolhido pelos refugiados é, na maioria dos casos, próximo ao seu país de origem, pois as viagens são caras e as famílias possuem poucos recursos. Os três países que mais acolhem refugiados são a Turquia, o Paquistão e a Uganda. Juntos, eles já receberam mais de 6,3 milhões de pessoas. Entretanto, países como o Brasil, também são locais de refúgio e de oportunidade para um novo começo

Segundo dados divulgados pelo Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE) na 4º edição do relatório “Refúgio em Números”, o Brasil atingiu a marca de 11.231 pessoas reconhecidas como refugiadas pelo Estado brasileiro. A quantidade de pessoas refugiadas dobrou no último século e assim, a movimentação desesperada para encontrar paz e segurança está sobrecarregando alguns países, mas, por outro lado, está despertando a generosidade das pessoas, o trabalho voluntário. A criação de instituições- ONGS- para o devido acolhimento e integração desses novos habitantes na sociedade local é de extrema importância. Como, por exemplo, a Acnur, que atua em conjunto com o CONARE, governos federal, estaduais e municipais, além de outras instâncias do poder público, proporciona proteção do governo brasileiro. Como resultado o refugiado consegue obter documentos, trabalhar, estudar exercendo os mesmos direitos que os demais cidadãos estrangeiros legalizados no país. Além do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs, que visa ampliar a rede de acolhimento em parceria com as igrejas brasileiras e dar o apoio necessário aos refugiados. A ONU está presente também em outros países acolhedores, países europeus, por exemplo, e trabalha em conjunto com outras instituições, como a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Dessa forma, é possível notar que a atuação dos órgãos não governamentais são necessários para o acolhimento dos refugiados que vêm não só para o Brasil, mas para as outras nações. Todavia, os governos federais possuem papel importante ao receberem os expatriados, podendo colaborar com a agilidade da documentação exigida para tornarem cidadãos e conseguir exercer uma profissão. O acolhimento é importante para esse povo que acaba de sair de seus países de origem, traumatizados e com inúmeras perdas. Palavras de esperança, amor, alegria e um local pacífico são os remédios essenciais para a cura de suas dores.

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